Confesso que não há palavra que me dê mais calafrios do que esta.

Ultimamente contextualização é a apalavra usada para aprovar qualquer loucura feita em nome da modernidade; ou para se comunicar com o Homem deste tempo.

O fato é que o Evangelho não muda, a palavra de Deus e o próprio Deus não mudam ( e o homem também é o mesmo ).

O que há então que se contextualizar?

Darei um exemplo:

O hino Tu és Fiel no hinário HCC dos Batistas traz no fim do refrão a seguinte frase: “Fiel a mim”.

Esta frase não traz em sua essência um erro teológico, pois se Deus é fiel, não mente, e ele fez promessas a nós e somos o alvo da sua salvação, podemos deduzir que Ele é também fiel a nós de certa maneira.

Qual o problema deste hino, então?

É o contexto!

Num cristianismo tão antropocêntrico nos vemos obrigados a fazer alterações nesse tipo de expressão dada a deturpação resultado do pensamento desta época.

Seria mais ou menos essa pergunta que deveríamos fazer:

Como o homem deste tempo compreende essa frase?

Por isso, para não confundir com a mentalidade humanista contemporânea, uma boa sugestão seria usar a seguinte frase: “Fiel a Si”, ou como já alterou o HNC dos Presbiterianos “Fiel assim”.

Mas ao trabalhar este tema me lembrei de um momento icônico onde Jesus faz correções de contextos.

Em Lucas 4:3-4 temos a tentação de Jesus.

Encontramos Jesus corrigindo as deturpações feitas pelo Diabo.

Diante da fome de Jesus, Satanás faz a prova “Se Tu és o filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão”

E Jesus percebendo a distorção e o teste que lhe era apresentado responde com a Palavra de Deus: “Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.”

Veja que a proposta satânica não era necessariamente ruim. Jesus estava com fome, o contexto era propício, mas ainda assim era necessária a correção da verdade feita por Jesus, ele trouxe à realidade correta àquelas palavras. E a realidade correta era a aplicação correta da Palavra de Deus. Jesus buscou a perfeição com o que disse.

A mesma coisa deve acontecer com a música. Cada frase que pode trazer ao ouvinte um contexto dúbio ou deturpado deve ser mudado e contextualizado.

Lembre, o problema do homem sempre é o mesmo, o Pecado. O remédio é sempre o mesmo, a fé em Cristo Jesus. E todas a artimanhas para que essa imagem feia do homem seja tirada serão feitas.

Quantas e quantas composições que ouvimos todos os dias em nossos cultos que trazem uma dimensão completamente humanista ou que são no mínimo insensatas, pois dão margem à uma má interpretação.

Por isso a exigência do músico ser conhecedor de Teologia, ser atualizado quanto as ideologias que militam contra a igreja de Cristo. Se o músicos pretendem compor, precisam ser conhecedores da palavra como pastores, pois eles ensinam as ovelhas.

Em tempos de relativismo, pluralismo, inclusivismo e outros “ismos” o músico cristão não pode perder a oportunidade de firmar a Verdade das escrituras tanto nos cultos quanto no alimento oferecido às ovelhas.

Não percamos tempo cantando amenidades em tempos tão cruéis e de apostasia.

Seja um conhecedor da palavra de Deus e seja sábio ao compor.

5 comments

  • Cássio Banuth

    Ótimo texto, explicativo e de fácil compreensão. Realmente devemos estar atentos ao que se passa em nosso meio, nas músicas que cantamos dentro de nossas igrejas e no que queremos passar aos irmãos no momento do culto. A sua Palavra é atual e não precisa de contextualização, realmente!! Acredito que músicos e compositores, que não são tão conhecedores de Teologia, devem compor e cantar músicas que digam a Palavra de Deus, sem imprimir sua opinião, pois pode estar infundada. E claro, estudar e ler a Palavra diariamente, pois é fácil cometer equívocos, e buscar aprimorar seu conhecimento Teológico. Deus não quer o que sobra da gente, mas o melhor de nós. Por isso não podemos fazer as coisas de qualquer jeito.
    Fico muito feliz com o Ministério de vocês, pois sei que a luta é grande, mas também sei quem é que os sustenta. E disso saem grandes coisas que alegram nosso coração e principalmente o nosso Deus.
    Que Deus os abençoe!

    Abraços, Cássio.

  • Filipe jonhne

    Grato demais por ter vocês descendo essa rua, no pelotão da frente, lembrando da verdade, com toda prudência e temor!

    Filipe Jonhne

  • Willian

    Permita-me acrescentar o seguinte: ao músico, não basta apenas, além da capacidade musical, ter conhecimento bíblico ou teológico. É preciso conhecer também as ferramentas adequadas para a correta interpretação das Escritura para se produzir letras em consonância com estas Escrituras. É preciso conhecer, minimamente, as leis da Hermenêutica Sagrada e como utilizá-las na interpretação do texto bíblico respeitando a intenção original do autor sagrado. Por causa da ausência desse conhecimento é que, mesmo com boas intenções e desejo de agradar a Deus, cada aberração musical tem sido produzida, vendida e consumida pelas igrejas, perpetuando-se assim um círculo vicioso horrendo da qual as pessoas nem sabem que estão envolvidas, mas que precisa ser quebrado em nome da sã doutrina – a que verdadeiramente alimentará o cristão genuíno, que será a luz na escuridão, como, também, é dito no salmo 19:7ss..

    Não se pode confundir o “livre exame das Escrituras”, como acertadamente propuseram os Reformadores, com “livre interpretação das Escrituras”, essa, sim, uma postura perniciosa que causa desserviço à causa do evangelho.

  • RODRIGO RODRIGUES MALHEIROS

    O livro de John Macarthur COM VERGONHA DO EVANGELHO, no capítulo 7, traz uma reflexão sobre Paulo no Areópago que converge ao texto sobre contextualização. Fica então uma sugestão de uma bela leitura em tempos sombrios, os quais fazem das Escrituras um Leito de Procusto, forçando-a a caber em fôrmas pequenas, por isso retiram a mensagem da cruz e a substituem pela mensagem do “Você tem um valor”, ou fôrmas grandes demais, que precisam acrescentar mensagens heréticas para preencher o que já é perfeito.

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